O Efeito de rede é o novo driver para escalar

A noção do ecossistema como a nova fonte de abastecimento e criação de valor demonstra uma mudança importante em um mundo conectado em rede. A escala não é mais alcançada puramente por meio do acúmulo de mão de obra e recursos dentro de um negócio ou por meio de relações contratuais não escaláveis fora do negócio. Em vez disso, a escala é alcançada aproveitando as interações no ecossistema.

Uma nova geração de startups está construindo grandes impérios com investimentos mínimos, alavancando o valor criado e trocado no ecossistema. Os negócios de plataforma escalam por meio de efeitos de rede. Os efeitos de rede tornam a plataforma mais valiosa à medida que mais valor é criado e trocado pelos usuários da plataforma. Isso, por sua vez, atrai ainda mais usuários, ampliando ainda mais a criação de valor. Maior criação de valor atrai maior consumo de valor e vice-versa. O efeito de rede cria um feedback positivo que permite que os sistemas sejam dimensionados mais rapidamente à medida que crescem.

Trecho traduzido do livro PLATFORM SCALE, Como um modelo de negócios emergente ajuda startups a construir grandes impérios com investimento mínimo, Choudary, Sangeet Paul, 2015

O Ecossistema também é a nova supply chain

Os recursos e a mão-de-obra têm sido tradicionalmente organizados em torno de processos internos para potencializar a criação de valor. Processos de pipes organizados como cadeias de suprimentos que movem o valor do produtor ao consumidor. Com o surgimento das plataformas, o ecossistema é a nova cadeia de suprimentos.

Os custos de coordenação de trabalho e recursos para a criação de valor estão diminuindo rapidamente à medida que novas ferramentas de coordenação permitem que um ecossistema distribuído trabalhe em conjunto para criar valor.

Vimos isso pela primeira vez na criação de software de código aberto, onde um ecossistema externo de colaboradores trabalhou em conjunto para melhorar o software como uma grande equipe distribuída globalmente. A Wikipédia trouxe esse espírito para publicação e mídia ao organizar uma rede distribuída de criadores e editores de conteúdo, com o objetivo comum de criar conteúdo confiável e rico em citações.

A Viki é uma empresa com sede em Cingapura que utiliza um ecossistema para uma tarefa que normalmente foram realizadas usando processos internos ou acordos contratuais. A Viki fornece novelas e filmes em idiomas asiáticos e orquestra um ecossistema global de tradutores para criar legendas para o conteúdo. O software da Viki capacita o processo de criação, edição e confirmação de legendas e é uma reminiscência das ferramentas de código aberto usadas pela Wikipédia. O processo de adição de legendas tem dependido historicamente do gerenciamento interno, mas agora é alcançado por meio da orquestração de um ecossistema complexo de criadores e editores por meio de uma plataforma de software.

A Quirky, uma “empresa de invenções” com sede em Nova York, está tentando reimaginar a fabricação em uma plataforma aberta. Toda a cadeia de suprimentos de fabricação, desde o projeto até a produção, da embalagem à distribuição, é gerenciada por meio de uma plataforma que abrange várias partes diferentes.

Sempre usamos a agregação para permitir a coordenação da processos. No entanto, a queda vertiginosa nos custos de coordenação e produção distribuída permite que as plataformas atinjam a agregação em muitos tipos de atividades de maneira mais eficaz e eficiente do que uma hierarquia de comando e controle jamais poderia.

Trecho traduzido do livro PLATFORM SCALE, Como um modelo de negócios emergente ajuda startups a construir grandes impérios com investimento mínimo, Choudary, Sangeet Paul, 2015

O Ecossistema é o novo warehouse

Tradicionalmente, as empresas contam com mão de obra interna e recursos próprios para dimensionar a criação de valor. À medida que o mundo se torna mais conectado, as empresas podem alavancar uma nova fonte de escala:

Um ecossistema externo de usuários e parceiros conectados à empresa pela Internet.

A Amazon começou como uma loja online tradicional, mas agregou escalabilidade adicional do lado da oferta à medida que avançava para um modelo de mercado online. Esse modelo de mercado alavancou armazéns e estoques, distribuídos em um ecossistema de comerciantes parceiros, para atender os consumidores. Mais recentemente, muitas lojas de comércio eletrônico na Índia também perceberam a necessidade de mudar de lojas para mercados, de tubos para plataformas. O ecossistema armazena o estoque enquanto a plataforma gerencia a correspondência desse estoque distribuído com a demanda. A plataforma pode até gerenciar ou orquestrar a entrega física de mercadorias dos armazéns, mas não possui parcelas significativas do estoque que vende. Quando a Amazon permitiu a liquidação do estoque de propriedade de seus comerciantes parceiros, ela começou a alavancar o ecossistema como um armazém distribuído.

Os hotéis possuem inventário, mas o Airbnb funciona como um provedor de acomodação virtual, aproveitando quartos em seu ecossistema. Isso permite que o Airbnb se expanda rapidamente e opere sem custos fixos. Tradicionalmente, as casas de mídia se orgulham de possuir conteúdo ou obter o melhor conteúdo contratualmente. O YouTube e o Soundcloud desbloquearam todo um ecossistema de criadores de conteúdo que participam da plataforma. Esses prósperos ecossistemas de criadores permitem que as plataformas concorram com credibilidade com as casas de mídia tradicionais pela atenção do consumidor.

A evolução das notícias e publicações online não é diferente. O Huffington Post começou com um modelo de mídia tradicional, criando a maior parte do conteúdo internamente, mas escalou construindo um ecossistema de redatores colaboradores. Mais tarde, a Forbes, a WIRED e várias outras empresas de mídia tradicional seguiram um caminho semelhante.

A visão da criação de valor baseada no ecossistema contrasta fortemente com a visão tradicional da criação de valor baseada em recursos, em que o controle dos recursos era uma importante fonte de vantagem competitiva.

Trecho traduzido do livro PLATFORM SCALE, Como um modelo de negócios emergente ajuda startups a construir grandes impérios com investimento mínimo, Choudary, Sangeet Paul, 2015

O Manifesto da Plataforma

O manifesto da plataforma apresenta a mudança de mentalidade necessária para administrar este novo mundo. O manifesto explica a mudança nos princípios de negócios, ao mesmo tempo em que reconhece que a criação e a entrega de valor ainda estão centradas na capacidade de agregação de uma empresa.

1. O Ecossistema é o novo warehouse

2. O Ecossistema também é a nova supply Chain

3. O Efeito de rede é o novo driver para escalar

4. Os Dados são o novo dólar

5. A Gestão de comunidades é a nova gestão de recursos humanos

6. A Gestão de liquidez é o novo controle de estoque

7. A Curadoria e reputação são o novo controle de qualidade

8. As Jornadas do usuário são os novos funis de vendas

9. A Distribuição é o novo destino

10. Behavior design é o novo programa de fidelidade

11. A Ciência de dados é a nova otimização de processos de negócios

12. O Feedback social é a nova comissão de vendas

13. Algoritmos são os novos tomadores de decisão

14. Customização em tempo real é a nova pesquisa de mercado

15. Plug-and-play é o novo desenvolvimento de negócios

16. A Mão invisível é o novo punho de ferro

Um mundo de pipes cria valor por meio de processos lineares gerenciados por meio de mecanismos de comando e controle, integração contratual e mão de obra interna e alocação de recursos.

As plataformas mudam de processos fechados e controlados para interações abertas e habilitadas. A gestão de plataformas deve ser desenhada com o objetivo de possibilitar interações entre produtores e consumidores no ecossistema de uma plataforma.

O Manifesto da plataforma apresenta as mudanças nos princípios de negócios que estão ocorrendo à medida que passamos de um mundo de processos de gerenciamento para um mundo de interações habilitadas em plataformas plug-and-play.

Trecho traduzido do livro PLATFORM SCALE, Como um modelo de negócios emergente ajuda startups a construir grandes impérios com investimento mínimo, Choudary, Sangeet Paul, 2015

Treinamento de Disciplined Agile na Gotodata

O último sábado foi um dia intenso de muito aprendizado e troca de experiências com essa turma de feras da Gotodata e da Fiat Chrysler.

Turma do treinamento de Disciplined Agile

O treinamento foi realizado na sede da Gotodata na Av. Raja Gabaglia em Belo Horizonte.

Tivemos participantes dos mais diversos perfis: CEO, cientistas de dados, gerentes, arquiteto de software e desenvolvedores. Todos muito interessados na entrega ágil de soluções!

O DA105 é o treinamento introdutório, mas apresenta as características do toolkit Disciplined Agile de maneira abrangente.

“Se todo mundo que fosse trabalhar com agilidade começasse por esse treinamento, seria tudo mais fácil.”

“Pude ter uma visão geral do DAD em apenas um dia.”

“Conteúdo abrangente e organizado.”

Estes foram alguns dos feedbacks dos participantes. 🙂

Os tópicos abordados cobrem a base do Disciplined Agile Delivery iniciando pela filosofia e pelos fundamentos dos métodos ágeis que formam a base do toolkit, passando pelos ciclos de vida e os diagramas de metas, que você usa para definir a sua forma de trabalho de acordo com o seu contexto.  “Your Way of Working!!”

Para quem prefere estudar sozinho eu indico o livro Choose your WoW!! Este é o último livro da dupla, Scott Ambler e Mark Lines, que são os criadores do Disciplined Agile.

Em breve estarei abrindo uma nova turma. Se houver interesse em participar ou levar esse treinamento para sua empresa, é só entrar em contato comigo.

#disciplinedagile #contextcounts #choiceisgood

Design Thinking, 4 mindsets para desenhar sua arquitetura

O design thinking se popularizou nos últimos anos principalmente sendo aplicado ao design de produtos. No contexto de software, ele se aplica à arquitetura, bem como ao desenho detalhado, à interação com o usuário ou a qualquer outra disciplina focada em design.

Design thinking é menos um processo e mais uma maneira de pensar sobre problemas e soluções do ponto de vista das pessoas afetadas por eles.

Michael Keeling

Segundo Michael Keeling em seu livro Design it!, um mindset de design é uma maneira de pensar sobre o mundo para que possamos focar nossa atenção nos detalhes corretos no momento certo.

Existem quatro mindsets de design que suportam o trabalho de design de arquiteturas de software:

  • Entender
  • Explorar
  • Fazer e
  • Avaliar.

Para desenhar sua arquitetura, você escolhe um dos quatro mindsets, escolhe uma prática relativa a esse mindset, aplica a prática para aprender algo novo sobre a arquitetura e vai repetindo como um ciclo na ordem que fizer mais sentido para você.

 

 

Agilidade em empresas dinossauro

Esse post é um resumo do que foi discutido no Openspace sobre Agilidade em empresas dinossauro proposto por Daniel Teixeira no primeiro dia do Agile Brazil 2016.

A sala estava lotada e a participação foi bastante ativa. Participaram pessoas de diversas empresas privadas e também do governo, com desafios comums ligados principalmente a cultura dentro das empresas “dinossauro”.

O grupo entendeu que “empresas dinossauro” não necessariamente são empresas de muito tempo de existência , mas sim empresas com uma cultura “dinossaurica”!!

Tentei organizar as minhas anotações e sintetizar o conhecimento que emergiu. Me perdoem se algo não fizer muito sentido. No momento que anotei o sentido era evidente!! 🙂

daniel

Cultura

  1. Coloque o Sponsor no taxi. Colocar o sponsor ciente das mudanças, explicar como funciona o Agile e os ganhos atingidos. “A agilidade não pode ser imposta e sim aderida.”
  2. Promova o intercâmbio entre pessoas do business e da TI. Como convencer o business? Coloque pessoas do business na TI e vice-versa. Isso pode quebrar a resistência das pessoas.
  3. Cole na onda de inovação. Nao estimule a TI Bimodal, use a seu favor como porta de entrada. A onda da inovacao deve permear toda a empresa.
  4. Quebre o apego ao passado com pilotos que entreguem valor. Não tente abraçar o mundo de uma vez só, faça pilotos em projetos e venda a idéia. Vender a ideia de cima pra baixo ou debaixo pra cima? “Agile, cabeça que se abre e nunca mais se fecha.” Use cases de empresas confiáveis como exemplo para vender a idéia.
  5. Contrate de forma ágil. Piratas fazendo ágil sem o cliente saber, mostrando benefícios e resultado.
  6. Quebre a resistência com DevOps. Use DevOps para quebrar a resistência. Suba as demandas sem o cliente saber e depois explique os ganhos e resultados. Use DevOps para quebrar a resistência da infra e adotar a cultura de infraestrutura ágil.
  7. Capacitação pela porta da frente. Promova a capacitação agile via PMO.
  8. Colaboração. Desenhe o processo ágil em conjunto.

Processos rígidos

  1. Use o MPSbr e o BPM ao seu favor. Identifique como ser mais ágil em cada processo, utilizando idéias do Agile para otimizar.
  2. Foque no ROI. Como mostrar dados para o cliente? Planeje e determine o custo no início e mostre os ganhos no final do projeto. O Bimodal pode ser porta de entrada para o agile quando há uma necessidade do controle devido a processos muito rígidos.
  3. Foque na melhoria de processos. Veja o que se tem de problemas no processo hoje e como a agilidade poderia resolver.
  4. Leve agile para a área de produto e não apenas na TI. o Agile (MVP, Sprints, Retros, etc) Mostrar a melhoria de cada projeto, usar o MVP, mostrar valor mais cedo.
  5. Colaboração. Crie processos ágeis em conjunto para quebrar a resistência. Esteja pronto para lidar com a resistência das pessoas. Promova a colaboração. Exemplos de resistência extrema: Cliente grita ao ouvir a palavra ágil; A área de qualidade não quer receber coisas antes; Contratação barras por compras e fornecedor perdeu o projeto.

Ansiedade

  1. Mudanças geram ansiedade e isso não é exclusividade do agile. Procure criar uma cultura de aceitação das mudanças. Falsa noção de controle do prazo fixo, custo fixo, time fixo, arquitetura fixa, quando chega próximo é que se vê que não vai conseguir gera ansiedade. Cultura de aceitar a mudanca combate isso.
  2. Capacitar o sponsor combate ansiedade. Cuidado com a falta de sponsor. O que é importante para o sponsor? Ele entendeu o conceito da agilidade? Você sabe e comunica porque mudar? Capacitar sponsor combate isso.
  3. Definicao de Budget gera ansiedade. No geral a direção acha que ágil é entregar rápido. Metáfora: “Vc pode pular do penhasco mas tem de cheguar rápido no chão com vida”. Livro “Scrum dobro em metade do tempo” explica os porquês. Promova leitura e grupos de estudo. Mudar para entregar o que as startups entregam.

Como tratar o legado?

  1. Novos sistemas demandam alterações no legado. Livro: trabalhando com código legado.
  2. DevOps ajuda a tratar o legado. Código legado é o que vc tem medo de alterar. Não tem documentação geralmente. Rastreabilidade não abrange tudo. Para atacar esse problema: Cobrir com testes , práticas DevOps, deploy canary, testes de integração ao alterar uma rotina.

Perfis juniores vs seniores

  1. Maturidade agile leva um certo tempo. Depois de 6 sprints o negócio melhora mas o projeto acaba.
  2. Problema de estimativas divergentes e imaturas acontece no início da adoção/transformação ágil. A média de maturidade do time tem de ser alta no Agile. Calibração das estimativas demora um pouco mesmo pela característica empírica do Agile.
  3. “Senioridade do júnior vs a junioridade do senior” Simplicidade nas soluções. Não fazer coisas mirabolantes.

Engajamento:

  1. Criação de um modelo de bootcamp ajuda o engajamento. “Escolhe em qual projeto vc quer trabalhar”. Melhorar capacitação, empoderamento e engajamento.
  2. Da pra fazer engajamento sem empoderamento? Daily, retro, planning , dar espaço para as pessoas falarem e contribuírem dá empoderamento para as pessoas. Algumas pessoas andam na contramão. Foi citada uma experiência de uma advertência por ter um livro específico em cima da mesa. O argumento foi que ele estava fazendo uma doutrinação por baixo dos panos.
  3. Promover uma experiência botton up de implantação de Agile. Agile pode emergir por opcao e iniciativa do time. É importante que a gestão tenha abertura para ajudar a promover as mudanças.
  4. Dar poder para pessoas sem maturidade pode ser tiro no pé. Time imaturo Geralmente fica em entregas técnicas e tem de se focar em entrega de valor. Empoderamento tem de ter experiência. Não adianta só entregar, tem de envolver o business. Faça demos e retros para promover o engajamento do business e tente ter um time dedicado para apagar incêndios com rotatividade do time.

Processo engessado

  1. Aceite os diferentes tipos de motivação. Algumas pessoas não puxam a mudança , não são pro ativas para promover mudancas, são boas em executar e executam bem. Tem de ser trabalhado de outra forma. Moving motivators do Management 3.0 identifica o que motiva aquela pessoa.

Falsa noção de controle

  1. “Status melancia: verde por fora e vermelho por dentro”. Métricas de vaidade : tem um número bonito mas sem valor. OKR é uma maneira diferente para pensar em métricas.
  2. “Travestir as coisas com ciência/tecnologia dá uma falsa sensação de controle e segurança.” Adote métricas simples e significativas.
  3. Não tenha medo de errar. Ver o erro como uma coisa boa e não tentar esconder os erros. “Diga como me medes que eu digo como me comportarei”

Ignição

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Hoje é um dia especial. Estou reiniciando o blog depois de um período sem postar. Deu vontade de escrever sobre algumas coisas, sabe.

O que disparou a ignição?

Bom, algumas coisas que estou estudando e outras que li recentemente. A virada da chave foi que senti falta de um canto para organizar as coisas que estou aprendendo e quero registrar e compartilhar.

Mas você tem tempo?

Não, não tenho. Mas peraí! Não tenho tempo para desperdiçar. Mas o tempo que vai aqui não é tempo perdido.

Que assunto?

Assunto é o que não falta não é!? Então vou me concentrar em coisas que me motivam, como engenharia e arquitetura de software onde tem muita coisa acontecendo. Vou falar de Agile, APIs, DAD e tecnologia também claro.

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