4 Tipos de Efeitos de Rede

Ao criar e gerenciar uma plataforma digital que conecta produtores e consumidores, é fundamental considerar os quatro tipos de efeitos de rede que ela pode gerar.

Em um mercado bilateral, os efeitos diretos surgem do impacto que os usuários de um lado têm sobre os outros usuários do mesmo lado. Por exemplo, os consumidores podem influenciar outros consumidores, enquanto os produtores podem afetar outros produtores. Já os efeitos indiretos surgem do impacto que os usuários de um lado têm sobre os usuários do outro lado – ou seja, os consumidores podem influenciar os produtores, e vice-versa.

É importante lembrar que esses efeitos podem ser tanto positivos quanto negativos, dependendo das regras e do design da plataforma. Por isso, é crucial entender como cada um desses quatro tipos de efeitos de rede funcionam para garantir o sucesso da plataforma.

Efeitos diretos positivos

A primeira categoria de efeitos benéficos, conhecida como efeitos diretos positivos, é composta pelos ganhos que a plataforma obtém ao aumentar o número de consumidores. Um exemplo desse efeito é o crescimento do Tinder, que se torna mais valioso à medida que o número de pessoas procurando relacionamentos se amplia.

As plataformas de jogos como o Xbox também experimentam um efeito positivo semelhante: quanto mais jogadores estiverem na plataforma, mais divertida ela se torna a experiência nos jogos em rede.

Os produtores também podem se beneficiam desses efeitos com o crescimento do número dos próprios produtores. Inicialmente isso pode parecer estranho, se olharmos para produtores isoladamente e apenas como concorrentes diretos. Em escala, os efeitos gerados são surpreendentes. É importante que isso seja gerenciado pela plataforma para não gerar efeitos negativos muito acentuados. Vejamos dois efeitos diretos positivos para produtores no iFood:

Aumento da visibilidade e relevância: Quanto mais produtores utilizam a plataforma iFood, maior será a visibilidade do produtor e a relevância dele na plataforma. O produtor de sanduíche da esquina é exposto no iFood junto com players como o Mac Donalds, por exemplo. Consequentemente o iFood torna produtores mais relevantes o que atrai mais produtores.

Redução de custos e melhoria da qualidade do serviço: Com um grande número de produtores, a plataforma iFood tem mais poder de barganha com fornecedores de serviços, como provedores de pagamento e de logística para entregas, o que pode levar a uma redução nos custos e melhoria da qualidade do serviço para todos os produtores.

Efeitos diretos negativos

Apesar dos efeitos diretos serem geralmente positivos, nem sempre é o caso. Em alguns casos, pode haver uma queda no crescimento dos números em um dos lados da plataforma. Por exemplo, no Uber, a medida que o número de motoristas aumenta em uma determinada região, os clientes são atraídos para a plataforma, o que é benéfico para a plataforma. No entanto, se o número de motoristas cresce demais, alguns motoristas podem ficar sem demanda por corridas.

Mas como o Uber lida com esse tipo de impacto negativo?

O Uber geralmente gerencia o impacto do excesso de motoristas em uma determinada região, aumentando os incentivos para que os motoristas se desloquem para áreas com maior demanda e diminuam sua presença em áreas saturadas. Outra solução é investir em novos serviços, como Uber EATs, para aproveitar a capacidade dos motoristas.

Efeitos indiretos positivos

Já os efeitos indiretos são aqueles em que tanto consumidores quanto produtores ganham ou perdem com base no número de usuários do lado oposto da plataforma.

É importante ressaltar que os efeitos indiretos positivos podem não ser simétricos em todos os casos. Por exemplo, no Uber, um único motorista é mais determinante para o crescimento do negócio do que um único passageiro.

No Twitter, a grande maioria das pessoas lê o que uma minoria escreve, enquanto em sites de perguntas e respostas como o Quora, a maioria do público pergunta, enquanto uma minoria fornece respostas.

Em resumo, o aumento do número de participantes do outro lado pode trazer efeitos indiretos positivos e benefícios ganha-ganha para os consumidores e produtores, mas é importante notar que esses efeitos podem não ser simétricos em todos os casos.

Efeitos indiretos negativos

É preciso considerar o lado sombrio das plataformas digitais, que pode trazer efeitos indiretos negativos.

Tomemos como exemplo uma plataforma que permite o compartilhamento de mídia digital, como música, texto, imagens e vídeos, como o YouTube. Embora o crescimento possa gerar benefícios para os consumidores, como um aumento na oferta de conteúdo, pode também levar a uma complexidade e a despesas cada vez maiores, como a necessidade de filtrar uma grande quantidade de conteúdos de acordo com as normas de direitos autorais e conteúdos impróprios com cunho sexual e violência, por exemplo.

Quando isso acontece, os efeitos indiretos positivos podem se tornar negativos, levando os consumidores a abandonar a plataforma ou a acessá-la menos. Da mesma forma, um excesso de mensagens comerciais pode prejudicar a experiência do usuário e afastar os consumidores, afetando o valor da plataforma.

No caso do Uber, existem efeitos indiretos negativos, que levam a aborrecimentos para os motoristas e passageiros, como um aumento no tempo de espera de um lado e ociosidade do outro. O ajuste das tarifas para incentivar o uso do serviço, aumenta a demanda por corridas e consequentemente, a necessidade de mais motoristas. É importante sempre considerar esses efeitos indiretos para o sucesso de uma plataforma digital.

Enfim, se você está pensando em criar uma plataforma que conecta produtores e consumidores, não subestime a importância dos efeitos de rede. Eles podem ser a chave para o sucesso da sua plataforma e para a fidelização dos seus usuários. Ao considerar os quatro tipos de efeitos de rede, você estará mais preparado para criar uma plataforma que realmente conecta e gera valor para todos os lados envolvidos.

Então, mãos à obra e boa sorte!

3 Camadas comuns das Plataformas Digitais

Hoje em dia, muitas empresas de todos os setores, estão apostando em plataformas digitais. Elas estão construindo suas próprias plataformas e se juntando a outras. Mas, mesmo sendo modelos de negócios plug-and-play que facilitam as interações, cada plataforma é diferente uma da outra. 

Por exemplo, temos Android, Salesforce e Facebook Connect como plataformas de software, Medium e WordPress como plataformas de blogs, e YouTube, Facebook e Instagram como plataformas sociais. Já Uber, Airbnb, iFood são plataformas bastante abrangentes, mas tem diferenças para atender seus clientes em seus nichos de mercado.

Tecnologias como Internet das Coisas e o Bitcoin tem suas plataformas, mesmo sem terem nada em comum. Mas, apesar de todas as diferenças, as plataformas têm três camadas comuns que emergem repetidamente: a camada de Rede-Marketplace-Comunidade, a camada de Infraestrutura e a camada de Dados. 

Camada Rede-Marketplace-Comunidade

A primeira camada de uma plataforma é onde a magia acontece: é onde a galera se conecta e interage. Nas redes sociais, a conexão é explícita, mas nos mercados, a interação pode ser mais sutil. O importante é que todos se beneficiem, mesmo que não estejam conectados diretamente.

Por exemplo, no Mint.com, a galera não precisa se conectar explicitamente, mas as análises financeiras de cada usuário são comparadas com as de outros usuários semelhantes. Isso cria uma comunidade implícita, onde todos se ajudam. Mas para que isso funcione, é preciso ter uma segunda camada: a infraestrutura. É ela que permite que a galera externa de produtores crie valor. E assim, todo mundo sai ganhando!

Camada de Infraestrutura

A camada de infraestrutura é tipo o alicerce de uma plataforma. Ela tem as ferramentas, serviços e regras que fazem tudo funcionar de forma fácil e intuitiva. Mas, sem os usuários e parceiros, ela não vale muita coisa. É como um bolo sem cobertura. Os produtores externos são tipo a cereja do bolo, eles constroem coisas incríveis em cima da infraestrutura.

No Android, tem milhões de aplicativos. No YouTube, tem um monte de vídeos legais. No eBay, tem uma infinidade de produtos disponíveis. Em algumas plataformas, como o Instagram, a camada de infraestrutura é mais fininha. Mas, em outras, como o Android, é super importante. O que importa mesmo é que a infraestrutura é o que permite que o valor seja criado. E quando tem muito valor sendo criado, pode ficar difícil pros consumidores acharem o que procuram. É aí que entra a terceira camada: os dados.

Camada de Dados

A última camada da plataforma é a camada dos dados. Todos os sites e apps usam dados de alguma forma. É através dos dados que a plataforma consegue juntar o que as pessoas querem com o que está disponível. A camada de dados é o que torna o conteúdo, produtos e serviços mais relevantes para cada usuário. Em alguns casos, os dados são a estrela principal da plataforma. O Nest, por exemplo, é um termostato que usa dados para criar valor. É incrível como os dados podem ser poderosos.

E aí, gostou de saber mais sobre as três camadas comuns das plataformas digitais? É incrível como, mesmo com tantas diferenças entre elas, essas camadas se repetem e são essenciais para o sucesso de qualquer plataforma. Se você está pensando em construir a sua própria plataforma, lembre-se de dar atenção especial a cada uma dessas camadas.

Se você já está usando uma plataforma, agora já sabe um pouco mais sobre como ela funciona nos bastidores. Então, vamos aproveitar as facilidades que as plataformas digitais nos oferecem e continuar explorando esse mundo cada vez mais conectado!

Livros de Clayton Christensen sobre inovação disruptiva, modelos de negócio e estratégias de plataforma

Clayton Christensen é autor de vários livros sobre inovação disruptiva, modelo de negócios e estratégias de plataforma. Dentre eles, podemos destacar:

O Dilema da Inovação (The Innovator’s Dilemma)

Este livro é considerado o mais importante de Christensen e aborda a temática da inovação disruptiva, mostrando como empresas bem-sucedidas podem ser derrubadas por concorrentes que surgem com tecnologias mais fracas, mas que atendem às necessidades dos clientes de forma mais eficiente.

O Dilema do Crescimento (The Innovator’s Solution)

Nesta obra, Christensen explora como as empresas podem crescer e se manter competitivas em um mercado cada vez mais disruptivo. Ele apresenta estratégias para desenvolver novos produtos, criar novos mercados e adotar modelos de negócios inovadores.

Como os Grandes Caem (How Will You Measure Your Life?)

Este livro não é diretamente relacionado à inovação, mas aborda temas como liderança, ética e propósito na vida pessoal e profissional. Christensen usa exemplos de empresas que fracassaram para discutir a importância de se manter fiel aos valores e objetivos pessoais e profissionais.

O DNA do Inovador (The Innovator’s DNA)

Neste livro, Christensen e seus coautores identificam as habilidades e comportamentos que os inovadores bem-sucedidos possuem em comum. Eles argumentam que a inovação não é apenas uma questão de criatividade, mas também de habilidades como observação, networking e experimentação.

Competindo contra a sorte (Competing Against Luck)

Este livro é uma colaboração entre Christensen e outros autores e aborda a temática da inovação centrada no cliente. Eles argumentam que, para criar produtos e serviços bem-sucedidos, as empresas precisam entender as necessidades e desejos dos clientes em um nível profundo e usar essa compreensão para criar soluções inovadoras.

Os livros de Clayton Christensen são uma fonte valiosa de conhecimento para quem busca inovar e revolucionar o mercado. Suas teorias sobre inovação disruptiva, modelos de negócio e estratégias de plataforma são fundamentais para o sucesso de empresas que desejam se manter competitivas e relevantes no mercado atual.

Não tenha medo de ousar e experimentar novas ideias, seguindo os ensinamentos de Christensen. Afinal, a coragem de inovar é o que pode levar sua empresa ao topo. Então, mãos à obra e comece a colocar em prática todas as lições aprendidas com os livros de Clayton Christensen!