10 Tipos de Plataformas Digitais

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Ao definir uma estratégia de negócio de plataforma ou criar uma plataforma digital, é essencial entender as entidades envolvidas no seu ecossistema e a sua forma de monetização. Nesse post veremos os tipos de plataformas e suas entidades. As formas de monetização ficaram para um próximo post.

Entidades envolvidas em um ecossistema de plataforma

Primeiramente entenda que vc é o fornecedor da plataforma dentro de um ecossistema que a plataforma está inserida. Existem dois tipos básicos de entidades que são usuários da plataforma e outras entidades complementares. Por exemplo, um designer que lança uma nova roupa é um produtor e a pessoa que compra as roupas é um consumidor. O motociclista que entrega a roupa e uma entidade complementar.

  • Fornecedor da plataforma
    • Orquestra a co-criação de valor
    • Gerência a governança da plataforma
  • Produtores
    • Dono dos ativos
    • Provedor de serviços
  • Consumidores
    • Usuários dos ativos e serviços da plataforma
  • Complementares
    • Fornecem serviços que agregam valor aos serviços principais
  • Outros atores, Incumbentes, Sociedade, Reguladores, Criadores de politicas

Parece bem óbvio, mas em alguns tipos de plataforma existe sobreposição de personas e papeis adicionais.

Exemplos dos dois tipos básicos de entidades

Para entender esse conceito em detalhes, vamos analisar os 10 tipos mais comuns de modelos de negócio de plataformas digitais e as entidades envolvidas:

10 tipos mais comuns de modelos de negócio de plataformas digitais

1. Marketplace

Este é o tipo de plataforma mais comum e fácil de entender. Aqui, compradores e vendedores (produtores e consumidores) são duas entidades diferentes e se conectam usando a plataforma. Os compradores podem explorar vários produtos, compará-los e tomar uma decisão sobre a compra. Os vendedores podem demonstrar seus produtos a todos os compradores potenciais e interessados. Magazine Luisa, Amazon, eBay, Alibaba, Walmart e assim por diante são algumas das plataformas bem conhecidas desse tipo.

2. Mídias sociais

Todo mundo está familiarizado com as plataformas de mídia social hoje em dia. Elas são onde as pessoas se conectam, compartilham ideias e socializam virtualmente. Facebook, Twitter e LinkedIn são alguns exemplos de plataformas populares de mídia social. As plataformas de mídia social são um tipo de plataforma em que produtores e consumidores são iguais. Nessas plataformas, um usuário alterna entre ser um produtor e um consumidor dentro da mesma sessão e em alguns minutos. Por exemplo, quando um usuário está escrevendo um tweet, ele é o produtor, mas é o consumidor quando está lendo o tweet de outra pessoa.

3. Busca

Quando digo plataformas de mecanismos de busca, não existem apenas o Google e o Bing do mundo, mas podem ser um mecanismo de busca para uma categoria muito específica. Por exemplo, o Zillow é um mecanismo de busca de imóveis para compra ou aluguel, onde os consumidores podem procurar por propriedades, e o Indeed é um mecanismo de busca onde os candidatos procuram vagas de emprego. Existem duas entidades na categoria de plataforma de pesquisa específica. No Zillow, há proprietários e locatários, e no Indeed, há recrutadores e candidatos a emprego. Mas os mecanismos de busca de informações que são independentes de categoria, como o Google e o Bing, só têm consumidores, não há produtores específicos dessas informações.

4. Conteúdo e entretenimento

Nas plataformas de entretenimento e conteúdo, os criadores de conteúdo são produtores, e os usuários que transmitem e assistem ao conteúdo são consumidores. Em algumas dessas plataformas, a criação de conteúdo é restrita a artistas e especialistas e é controlada pelos proprietários da plataforma—por exemplo, GloboPlay, Netflix e Spotify. Mas existem plataformas onde a criação de conteúdo está aberta a todos e a qualquer pessoa—por exemplo, no YouTube, que também pode ser categorizado como uma plataforma de mídia social.

5. Conhecimento

As plataformas de compartilhamento de conhecimento e informações são semelhantes às plataformas de mídia social, na medida em que os produtores e os consumidores são os mesmos. Alguns exemplos comuns de tais plataformas de compartilhamento de conhecimento e informações são Hotmart, Coursera, Stack Overflow, Quora e Yelp. Quando um usuário faz uma pergunta ou responde a uma pergunta no Stack Overflow, ele é um produtor, mas quando está navegando e lendo soluções, ele é um consumidor. Da mesma forma, no Yelp, quando um usuário está adicionando uma avaliação, ele é um produtor, mas quando está navegando e lendo avaliações, ele é um consumidor. Já nas plataformas de cursos como Hotmart e Coursera temos os produtores de cursos e os alunos, que são os consumidores.

6. Serviços

Plataformas orientadas a serviços são aquelas em que uma plataforma permite a agregação de Provedores de Serviços (SPs) e os conecta aos consumidores. SPs são os produtores neste cenário. Exemplos clássicos desse tipo de plataforma são Uber, Airbnb, iFood e assim por diante. Essas plataformas crowdsource os SPs e os conectam aos consumidores certos. Plataformas como o iFood têm uma camada adicional; elas conectam três entidades em vez de duas, como visto na maioria dos tipos de plataforma. Eles conectam restaurantes, motociclistas e consumidores para a conclusão perfeita da entrega de comida.

7. Pagamentos

Todas as plataformas financeiras, como o PayPal, se enquadram nesta categoria. Eles facilitam a conclusão de uma transação processando o pagamento. A maioria delas opera com uma comissão ou taxa de transação. Semelhante ao DoorDash, as plataformas de transação têm três camadas ou conectam três entidades—compradores, comerciantes e bancos.

8. Comunicação

Plataformas de mensagens diretas e bate-papo, como WhatsApp, Slack, Skype e assim por diante, são exemplos populares e familiares de plataformas de comunicação. As funções e responsabilidades do produtor e do consumidor nas plataformas de comunicação são semelhantes às das plataformas de mídia social. O mesmo usuário atua como produtor ou consumidor, dependendo de sua ação.

9. Infraestrutura

As plataformas de infraestrutura fornecem recursos de hardware e computação para as organizações. As plataformas de infraestrutura cuidam da hospedagem, armazenamento, rede e outros hardwares e softwares essenciais necessários para criar e implantar qualquer aplicativo. Plataformas de computação em nuvem, como Google Cloud Platform (GCP), Amazon Web Services (AWS) e Azure, são os players mais populares e dominantes desse tipo.

10. Desenvolvimento

Todos os sistemas operacionais são categorizados como plataformas de desenvolvimento. Alguns são controlados e fechados, como Windows e Apple App Store, enquanto outros são de código aberto, como Android e Linux. Além dos sistemas operacionais, plataformas construídas para acessar dados por meio de Interfaces de Programação de Aplicativos (APIs) ou plataformas que permitem diferentes aspectos de desenvolvimento de software também podem ser classificadas como plataformas de desenvolvimento. Criadas para acessar dados por meio de Interfaces de Programação de Aplicativos (APIs) ou plataformas que permitem diferentes aspectos de desenvolvimento de software também são classificadas como plataformas de desenvolvimento.

Conforme descrito nesses 10 tipos diferentes de modelos de negócio de plataforma, é necessário projetar com os dois tipos de usuários básicos em mente e considerar que pode existir plataformas onde os produtores também são consumidores. A abordagem e o design desses tipos de plataformas onde produtores e consumidores são os mesmos, se diferem dos de uma plataforma onde eles têm duas personas distintas.

3 características das Plataformas Digitais de sucesso

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Os modelos de negócio de plataformas digitais possuem muitos aspectos diferentes, mas as três características a seguir são as fundamentais para as plataformas digitais de sucesso.

Multidimensional

As plataformas não permitem apenas que um produtor se conecte aos seus clientes linearmente. Esse é o modelo de negócios tradicional de produto. O modelo de negócio das plataformas, permite que uma rede de múltiplos produtores diferentes criem e realizem valor através dela, para toda uma rede de clientes conectados.

Efeito de rede

É o efeito gerado como resultado de se criar uma rede de produtores e clientes conectados, operando através da plataforma. O efeito de rede pode ser positivo, ou em determinado momento negativo, como por exemplo o excesso de motoristas disponíveis no Uber em um determinado momento. Isso pode gerar motoristas ociosos e valores de corrida mais baixo em função da baixa demanda.

Esse desenho mostra o efeito de rede positivo, onde mais fornecedores diferentes oferecem mais opções de escolha para os clientes, o que atrai mais clientes, e por sua vez gera mais ROI para os fornecedores e atrai mais fornecedores.

Plug-and-play

Essa é a característica relacionada à facilidade de produtores e clientes se conectarem facilmente à plataforma e começarem a utiliza-la rapidamente.

Essas três características somadas são a chave para o sucesso de um modelo de negócios de plataforma. Portanto, para uma plataforma ser bem-sucedida, ela deve:

  • Conectar entidades diferentes de maneira multidimensional, formando redes de realização de valor agregado para os clientes,
  • ser dimensionada para criar um forte efeito de rede positivo e
  • facilitar a entrada de mais clientes e produtores, por meio de mecanismos plug-and-play, que facilitem a conexão e permitam que comecem a operar rapidamente na plataforma.

É aí que está o segredo para o crescimento exponencial dos modelos de negócio das plataformas digitais!

O que é uma Plataforma Digital?

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A definição de Plataforma Digital mais simples que consegui formular foi a seguinte:

Uma plataforma digital permite que as pessoas realizem atividades essenciais em um domínio e as ajuda a se conectar com diversas entidades diferentes ao mesmo tempo.

Por exemplo, a plataforma iFood permite que as pessoas comprem comida em diversos estabelecimentos diferentes como restaurantes, lanchonetes, supermercados, entre outros, ao mesmo tempo. Isso se aplica a diversos nichos de negócio, em que uma plataforma digital viabiliza as atividades essenciais do negócio, conectando diferentes entidades.

Com base nessa definição, é fácil citar outros exemplos de plataformas bem populares, que fazem parte do nosso cotidiano, entre elas:

  • Netflix, plataforma de streaming vídeo, com filmes e séries de diferentes estúdios da indústria do cinema,
  • Magazine Luiza, plataforma de comércio eletrônico, que reúne diversos fornecedores,
  • Spotify, plataforma de streaming de áudio (e também videos), com diversos artistas, bandas e Podcasts produzidos por “entidades” diferentes, como o PodPan, por exemplo, que é o podcast de um moto-grupo que acho sensacional. Recomendo!

Portanto, a principal característica de uma plataforma digital é permitir que uma rede de múltiplas entidades se conectem e executem atividades essenciais através dela, e não apenas duas partes se conectarem linearmente. Vários vendedores podem vender em uma plataforma como o Magazine Luiza e muitos artistas podem fazer upload de suas músicas em uma plataforma de streaming de áudio como o Spotify e é aí que tudo começa!

Vejamos as outras características no próximo post.

O Dilema dos Incumbentes

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O dilema de “Quem nasceu primeiro, ovo e ou a galinha?” e as dificuldades de atrair uma grande base de usuários podem fazer você empreendedor se perguntar:

Por que as empresas atuais com enormes bases de clientes existentes não dominam o mundo das plataformas?

Este é o dilema dos incumbentes, mas talvez seja apenas uma questão de tempo até que as grandes empresas de sucesso em negócios tradicionais coloquem a cabeça pra funcionar e comecem a esmagar a concorrência.

As grandes empresas têm algumas vantagens ao lançar negócios em modelos de plataforma. Entre elas:

  • Cadeias de valor existentes
  • Poderosas alianças e parcerias com outras empresas
  • Pools de talentos para aproveitar
  • Vastos arsenais de recursos
  • Bases de clientes fiéis

No entanto, essas vantagens podem criar complacência. No mundo tradicional dos negócios dominado por produtos e pipelines, geralmente há tempo para observar o aumento da concorrência externa e fazer ajustes. A maioria das grandes empresas evoluiu com processos que refletem esse ritmo relativamente lento de mudança, com pontos de verificação anuais ou na melhor das hipóteses, trimestrais. Entre eles:

  • Planejamento estratégico
  • Definição de metas
  • Autoavaliações
  • Correção de cursos

No entanto, no mundo das plataformas, dominado por redes que interagem de forma rápida e imprevisível, o mercado pode mudar rapidamente e as expectativas dos clientes podem mudar ainda mais rápido. Os processos de gerenciamento precisam mudar de acordo.

À medida que as empresas incumbentes se reinventam para o mundo das plataformas, elas se encontrarão no mesmo campo de jogo ágil que empresas iniciantes e em rápida evolução. Em um mundo de acesso de rede democratizado e pull marketing, as vantagens antes produzidas por tamanho, experiência e recursos se tornaram menos importantes.

Então, se você é um empreendedor ou um aspirante a empreendedor, ou se você ajuda a administrar uma pequena ou média empresa que está de olho em uma oportunidade de negócio de plataforma, não se intimide com a perspectiva de um concorrente gigante invadindo seu espaço. As regras do jogo do crescimento mudaram, e se você entender e dominar as novas regras, terá uma chance tão boa de sobreviver e prosperar quanto qualquer um.

O Manifesto da Plataforma

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O manifesto da plataforma apresenta a mudança de mentalidade necessária para administrar este novo mundo. O manifesto explica a mudança nos princípios de negócios, ao mesmo tempo em que reconhece que a criação e a entrega de valor ainda estão centradas na capacidade de agregação de uma empresa.

1. O Ecossistema é o novo warehouse

2. O Ecossistema também é a nova supply Chain

3. O Efeito de rede é o novo driver para escalar

4. Os Dados são o novo dólar

5. A Gestão de comunidades é a nova gestão de recursos humanos

6. A Gestão de liquidez é o novo controle de estoque

7. A Curadoria e reputação são o novo controle de qualidade

8. As Jornadas do usuário são os novos funis de vendas

9. A Distribuição é o novo destino

10. Behavior design é o novo programa de fidelidade

11. A Ciência de dados é a nova otimização de processos de negócios

12. O Feedback social é a nova comissão de vendas

13. Algoritmos são os novos tomadores de decisão

14. Customização em tempo real é a nova pesquisa de mercado

15. Plug-and-play é o novo desenvolvimento de negócios

16. A Mão invisível é o novo punho de ferro

Um mundo de pipes cria valor por meio de processos lineares gerenciados por meio de mecanismos de comando e controle, integração contratual e mão de obra interna e alocação de recursos.

As plataformas mudam de processos fechados e controlados para interações abertas e habilitadas. A gestão de plataformas deve ser desenhada com o objetivo de possibilitar interações entre produtores e consumidores no ecossistema de uma plataforma.

O Manifesto da plataforma apresenta as mudanças nos princípios de negócios que estão ocorrendo à medida que passamos de um mundo de processos de gerenciamento para um mundo de interações habilitadas em plataformas plug-and-play.

Trecho traduzido do livro PLATFORM SCALE, Como um modelo de negócios emergente ajuda startups a construir grandes impérios com investimento mínimo, Choudary, Sangeet Paul, 2015

Agile na Capital One: a polêmica sobre as demissões

Capital One

Primeiro vamos aos fatos.

Conforme anunciado pela Bloomberg em 19 de janeiro de 2023, e no The Register em 20 de janeiro de 2023 a Capital One cortou, entre outros cargos de tecnologia, alguns papéis de agilidade como Agile Coaches, Scrum Masters.

Vejamos alguns trechos de declarações da empresa:

“Em 19 de janeiro, a Capital One cortou 1.100 cargos de tecnologia, disse uma fonte familiarizada com o assunto à Bloomberg – a Capital One não confirmou o número de cargos que seriam cortados, embora um porta-voz tenha dito à Forbes que os funcionários afetados foram informados de que poderiam se candidatar a outras funções na empresa.”

A empresa disse ao The Reg que sua organização de tecnologia “não estava se afastando do Agile e continuará a usar metodologias Agile para entregar software”, acrescentando: “essa mudança reflete como os processos ágeis se tornaram parte de nossas principais práticas de engenharia.

“O papel Agile em nossa organização de tecnologia foi fundamental para nossas fases de transformação anteriores, mas conforme nossa organização amadureceu, o próximo passo natural é integrar os processos de entrega ágil diretamente em nossas principais práticas de engenharia.”

“Com a mudança desta semana, a empresa está eliminando cargos focados na chamada Agile Delivery de tecnologia. Em vez disso, espera-se que engenheiros e gerentes de produto usem rotinas ágeis naturalmente.”

“A Capital One continua comprometida em recrutar os melhores talentos, incluindo investimentos contínuos no recrutamento de novos profissionais e contratações de campus. Nossa organização de tecnologia está recrutando ativamente para uma variedade de posições, incluindo funções de engenharia focadas em nuvem, dados, aprendizado de máquina e segurança cibernética, bem como como Gerentes de Produto.”

Acredito que no caso da Capital One especificamente, nao se trata de estarem demitindo o Agile da empresa. Como foi dito, eles estão reestruturando após uma primeira transformação ágil, talvez “by the book”, para que nessa próxima fase a agilidade esteja mais integrada a todos os processos e ao Gerenciamento de Produtos.

Confesso que fiquei curioso em conhecer mais a fundo essa nova fase e não me parece um enfraquecimento da agilidade. pelo contrario. Vejo que é um ganho de consciência, um entendimento do contexto da empresa com o objetivo de criar um sistema de trabalho que funcione melhor, mais alinhado ao negócio dela.

Essa consciência corporativa é um dos princípios importantes para o sucesso das iniciativas de transformação ágil nas organizações.

Big Techs estão demitindo

É fato. A Forbes publicou uma lista dos layoffs das BIG TECHs em 2023. Isso inclui IBM, Microsoft, Google, Spotify, Amazon, Facebook (Meta) entre outras outras.

Nesse cenário mais amplo de demissões, minha opinião é que estamos em um momento de recessão pós-COVID, que desencadeou reduções de quadros em diversas Big Techs e não me parece que termina por aqui. A maior motivação é à diminuição da demanda por serviços digitais após a pandemia, devido ao término dos períodos de lock-down pelo mundo.

Portanto, como é fato que não é apenas a Capital One que está demitindo e essas demissões não me parecem focadas em um ponto específico passando longe de ser culpa do Agile, sejamos mais coerentes e vamos olhar para o futuro. Essa polêmica não tem fundamento.

Acredito que as empresas que fizeram o para-casa, se transformando rumo a agilidade de negócios, tem um modelo operacional ágil com mais capacidade de responder às oscilações do mercado nesse momento de recessão.

E você, o que vc acha?

A Mão invisível é o novo punho de ferro

Os processos de negócios que permitiram a escalabilidade vertical foram historicamente gerenciados por meio de hierarquias. À medida que a criação de valor em um mundo de plataforma se move para as redes, precisamos de uma nova forma de gestão e cultura, tanto dentro quanto fora da organização. As hierarquias são baseadas em regras e conformidade, que exigem um fluxo unidirecional de informações top-down. Este punho de ferro está dando lugar à Mão invisível. Isso é mais evidente no surgimento de plataformas de trabalho sob demanda, onde a Mão invisível de algoritmos e APIs despacha o suprimento para atender à demanda.

A Mão invisível – geralmente assumindo a forma de decisões algorítmicas – cutuca os produtores a continuar criando valor na plataforma.

Em uma era de rede, estamos passando de um mundo de comando e controle para um mundo de auto-atendimento, onde a participação do usuário é incentivada por meio de uma Mão invisível alimentada por dados, APIs e algoritmos.

Trecho traduzido do livro PLATFORM SCALE, Como um modelo de negócios emergente ajuda startups a construir grandes impérios com investimento mínimo, Choudary, Sangeet Paul, 2015

Plug-and-play é o novo desenvolvimento de negócios

No mundo dos tubos, o desenvolvimento do negócio baseava-se na integração contratual. Todos os negócios acabaram exigindo a integração dos fluxos de informações e recursos, mas isso foi alcançado por meio de operações de integração intensiva.

No mundo das plataformas, APIs e interfaces de autoatendimento, a própria natureza do desenvolvimento de negócios mudou fundamentalmente.

Cada vez mais, as APIs estão permitindo uma nova forma de desenvolvimento de negócios.

Parceiros em potencial podem ligar e usar, eliminando a necessidade de integração complexa e, em alguns casos, acordos contratuais complexos. A API é o contrato e a interface de integração. Dependendo de quão aberto é o negócio, qualquer um pode usar suas APIs e criar valor para o negócio. Muitas empresas de tecnologia priorizam as metas de aquisição com base em quão bem elas estão integradas com sua API existente. As grandes empresas incentivam as startups a participar de suas redes de parceiros desenvolvedores e geralmente adquirem as startups mais bem-sucedidas para essas redes. Adquirir uma empresa que já construiu em uma API reduz o custo da integração pós-aquisição.

A loja de aplicativos do iPhone introduziu o desenvolvimento de negócios com esteróides. Nokia, BlackBerry e operadoras tradicionais adquiriram seus aplicativos contratualmente, enquanto o iPhone criou uma plataforma aberta, permitindo que qualquer pessoa criasse aplicativos para ele. Cada vez mais, muitos setores tradicionalmente considerados não tecnológicos, incluindo varejo, transporte e bens de consumo, estão abrindo APIs para incentivar a inovação, reunindo um ecossistema externo de parceiros desenvolvedores.

Trecho traduzido do livro PLATFORM SCALE, Como um modelo de negócios emergente ajuda startups a construir grandes impérios com investimento mínimo, Choudary, Sangeet Paul, 2015

Customização em tempo real é a nova pesquisa de mercado

O feed de notícias do Facebook é uma coluna de fofocas altamente personalizada que se reorganiza em tempo real com base nas preferências e ações do usuário. As empresas de pipe tradicionalmente demoram a responder à demanda do consumidor, mas em um mundo onde os dados fluem constantemente dos usuários para as empresas, estamos vendo cada vez mais a personalização de experiências em tempo real.

As plataformas contam com customização em tempo real para servir o conteúdo mais relevante dos produtores aos consumidores interessados.

Os produtores também se beneficiam da personalização em tempo real, pois a plataforma abre ou fecha gradualmente o acesso para os produtores com base em suas ações anteriores e desempenho na plataforma.

Por outro lado, a personalização excessiva também pode representar um desafio, mostrando constantemente mais do que um usuário gostou no passado em detrimento da experiência geral. As plataformas devem garantir que equilibram relevância com o acaso.

Trecho traduzido do livro PLATFORM SCALE, Como um modelo de negócios emergente ajuda startups a construir grandes impérios com investimento mínimo, Choudary, Sangeet Paul, 2015

Algoritmos são os novos tomadores de decisão

Algoritmos estão cada vez mais assumindo funções gerenciais de alocação de recursos e tomada de decisão.

Nas plataformas, os algoritmos são os árbitros da alocação de recursos e da atribuição de reputação.

Por exemplo, os algoritmos do Uber despacham os veículos para os viajantes enquanto mantêm um sistema de classificação de motorista/passageiro. Um serviço de táxi tradicional teria alavancado uma camada de gerentes intermediários para desempenhar uma função semelhante.

Os algoritmos também substituem os gatekeepers tradicionais.

Na indústria editorial tradicional, um editor teria tomado decisões sobre quais livros seriam levados ao mercado. Em um modelo de financiamento tradicional, um agente de pontuação de crédito teria tomado uma decisão sobre o que deveria ser financiado. Na Amazon ou no Kickstarter, o livro que deve ir ao mercado ou o projeto que deve ser financiado é cada vez mais decidido por algoritmos que alavancam um conjunto complexo de insumos sociais. As comunidades auto-policiadas e os algoritmos que as orientam são os novos tomadores de decisão.

Trecho traduzido do livro PLATFORM SCALE, Como um modelo de negócios emergente ajuda startups a construir grandes impérios com investimento mínimo, Choudary, Sangeet Paul, 2015

O Feedback social é a nova comissão de vendas

Em um mundo de pipes, os funcionários são incentivados a ajudar a empresa a atingir seus objetivos. As organizações projetam incentivos inorgânicos, como comissões de vendas e bônus de funcionários, para incentivá-los a realizar ações específicas.

Em um mundo de plataformas, onde os usuários passam a desempenhar as funções tradicionalmente desempenhadas pelos funcionários, novos tipos de incentivos devem ser arquitetados. Além dos incentivos inorgânicos tradicionais, o feedback social é uma fonte importante de incentivo ao usuário nas plataformas.

Os produtores em uma plataforma podem participar com mais frequência quando o feedback social explícito dos consumidores é comunicado a eles. Os leitores compartilham artigos do Buzzfeed e Upworthy por causa do feedback social que resulta de tal ação. Os usuários do Instagram compartilham suas criações para feedback social. Todas essas ações são pensadas para ajudar a plataforma a atingir seus objetivos.

Trecho traduzido do livro PLATFORM SCALE, Como um modelo de negócios emergente ajuda startups a construir grandes impérios com investimento mínimo, Choudary, Sangeet Paul, 2015